Exaustor axial ou centrífugo: qual escolher para cada sistema

Veja quando usar exaustor axial direto ou centrífugo e qual rotor centrífugo (siroco, radial ou limit load) serve para cada tipo de ar, segundo a ACGIH.

Por Climavent
19/10/2026 · 13 min de leitura · 2.690 palavras

Dois exaustores com a mesma potência no motor podem dar resultados opostos na mesma fábrica. Um ventila bem o galpão inteiro; o outro só é eficiente quando ligado a uma rede de dutos com captores. A diferença costuma estar no tipo de equipamento. O manual Industrial Ventilation da ACGIH resume a regra geral: exaustores axiais servem para vazões altas contra resistências baixas, e exaustores centrífugos, para vazões menores contra resistências mais altas (ACGIH, 1998, Seção 6.2).

Este artigo trata do exaustor axial de hélice, mostra até que pressão o modelo de acionamento direto trabalha, compara os três rotores centrífugos mais usados na indústria (siroco, radial e limit load), explica como a sujeira e a temperatura do ar definem a escolha e traz uma tabela de decisão rápida. O conteúdo é voltado a quem vai comprar, especificar ou trocar um exaustor: donos de oficinas e pequenas fábricas, supervisores de manutenção e engenheiros de processo.

Pontos-chave

  • Exaustor axial: muita vazão contra pouca resistência, como na ventilação geral de galpões. Exaustor centrífugo: menos vazão contra mais resistência, como em sistemas com dutos, captores e filtros (ACGIH, 1998, Seção 6.2).
  • O exaustor axial direto, de hélice, trabalha contra menos de 250 Pa e perde muita vazão com qualquer resistência adicional (ACGIH, 1998, Seção 6.2.2). Um único ramal de dutos com quatro curvas pode passar desse limite.
  • Entre os centrífugos, o rotor radial é o indicado quando o pó passa pelo exaustor; o siroco não é recomendado para pós que grudam nas pás; o limit load tem o maior rendimento dos três e não sobrecarrega o motor (ACGIH, 1998, Seção 6.2.3).
  • A escolha certa começa pela pressão que o sistema exige, calculada a partir dos captores e da rede de dutos, e não pela potência do motor.

Qual a diferença entre exaustor axial e centrífugo?

A diferença está no caminho do ar. No exaustor axial, o ar atravessa o rotor na direção do eixo, como em uma hélice. No centrífugo, o ar entra pelo centro do rotor, é lançado para fora pelas pás e sai por uma carcaça em forma de caracol, a voluta, que converte parte da velocidade do ar em pressão (ACGIH, 1998, Fig. 6-3 e 6-4).

Essa construção define o que cada um faz bem. O axial move grandes volumes de ar quando quase não há resistência pelo caminho. O centrífugo gera mais pressão, necessária para vencer dutos, curvas, captores e filtros. Por isso a ACGIH resume a escolha em uma regra: axiais para vazões maiores contra resistências menores, centrífugos para vazões menores contra resistências maiores (ACGIH, 1998, Seção 6.2).

Até que pressão o exaustor axial direto funciona bem?

O exaustor axial direto é o de hélice: as pás ficam montadas em um anel ou em uma placa de fixação, e o motor aciona a hélice sem correia. A ACGIH classifica esse tipo como próprio para mover ar contra pressões estáticas baixas, menos de 1 polegada de coluna d'água, ou cerca de 250 Pa. É o equipamento típico da ventilação geral (ACGIH, 1998, Seção 6.2.2).

O ponto mais importante é a sensibilidade à resistência. A ACGIH alerta que o desempenho do exaustor de hélice é muito sensível a resistência adicional: um pequeno aumento causa uma queda acentuada de vazão (ACGIH, 1998, Seção 6.2.2). O acionamento direto tem duas consequências práticas, também descritas no manual. A montagem é mais compacta e a rotação é constante. Em contrapartida, a rotação fica limitada à velocidade do motor, a não ser que se use inversor de frequência, e a capacidade é definida na fabricação pela geometria da hélice e pela rotação do motor (ACGIH, 1998, Cap. 6, arranjos de acionamento).

Na prática, o exaustor axial industrial e o exaustor semi-industrial rendem o máximo instalados na parede ou na cobertura, renovando o ar do galpão sem dutos pelo caminho.

Exemplo: quando a rede de dutos passa do limite

Os números a seguir são um cálculo ilustrativo. Eles usam o mesmo ramal do artigo sobre perda de carga em curvas de dutos: duto de 300 mm, ar a 20 m/s, quatro curvas de 90° e uma junção com o duto principal.

  • Ramal bem traçado, com curvas de 5 gomos de raio longo e junção a 30°: as peças sozinhas somam cerca de 206 Pa (o coeficiente de 0,17 da curva com R/D = 2,5 é extrapolado pela própria ACGIH).
  • O mesmo ramal com 10 m de duto reto: o atrito, calculado pela equação de perda por atrito da ACGIH para duto galvanizado (Cap. 5), acrescenta cerca de 149 Pa, e o total chega a cerca de 355 Pa.
  • Peças mal escolhidas, com curvas mitradas e junção em T: só as peças somam cerca de 1.390 Pa.

Limite de pressão do exaustor axial direto comparado com a perda de um ramal de 300 mm a 20 m/s. Limite segundo a ACGIH (1998, Seção 6.2.2); perdas calculadas com os coeficientes de curvas e junções da ACGIH (1998, Fig. 5-14 e 5-15).

Mesmo o ramal bem traçado passa do limite do axial direto assim que se soma o duto reto. Isso sem contar a entrada do captor, filtros ou coletor. Esse é o terreno do exaustor centrífugo.

Quais são os rotores centrífugos e para que serve cada um?

Os exaustores centrífugos têm três desenhos básicos de rotor: pás curvadas para a frente (siroco), pás radiais e pás inclinadas ou curvadas para trás, como no limit load (ACGIH, 1998, Seção 6.2.3). Cada desenho tem um comportamento diferente:

Rotor Pás Rendimento Com pó passando pelo exaustor Comportamento da potência
Siroco (pás curvadas para a frente) 24 a 64 pás curtas e rasas Intermediário Não recomendado para pós que aderem às pás Sobe continuamente até a vazão livre
Radial 6 a 10 pás retas, a partir do cubo O mais baixo dos três Indicado: as pás retas resistem ao acúmulo de material Sobe continuamente até a vazão livre
Limit load (pás inclinadas ou curvadas para trás) 9 a 16 pás O mais alto dos três Pó leve ou umidade, sem material que grude sob as pás Não sobrecarrega: o máximo fica perto do ponto ideal

Fonte: ACGIH (1998, Seção 6.2.3 e Fig. 6-4).

Siroco: compacto para ar limpo

O rotor siroco ocupa pouco espaço e gira a baixa velocidade periférica. A ACGIH o associa a pressões estáticas baixas a moderadas, como em sistemas de aquecimento, ar-condicionado e ar de reposição. O manual também desaconselha esse rotor para poeiras e particulados que possam aderir às pás curtas e curvas, porque o acúmulo desbalanceia o rotor (ACGIH, 1998, Seção 6.2.3). O exaustor centrífugo siroco é, portanto, indicado para ar limpo em pressões baixas a moderadas, como ventilação, climatização e ar de reposição, sobretudo quando o espaço é limitado.

Radial: o rotor para pó e material

O rotor radial tem pás retas que resistem ao acúmulo de material, e a carcaça é dimensionada para manter a velocidade de transporte. Segundo a ACGIH, esse é o desenho usado na maioria dos sistemas de exaustão em que o particulado passa pelo exaustor. O rotor é robusto, de construção simples e fácil de reparar em campo, e às vezes recebe revestimento com material especial (ACGIH, 1998, Seção 6.2.3 e Fig. 6-4). O exaustor centrífugo radial é a escolha natural para serragem, pó de lixamento e aspiração de material.

Limit load: rendimento alto e motor protegido

O rotor de pás inclinadas para trás tem o rendimento mais alto dos três. Ele é chamado de "não sobrecarregável": a potência máxima ocorre perto do ponto de operação ideal, então qualquer variação na resistência do sistema reduz a potência consumida (ACGIH, 1998, Seção 6.2.3). O formato das pás, porém, favorece o acúmulo de material, e a ACGIH limita esse rotor a poeira leve ou umidade, sem particulado que se acumule sob as pás. O exaustor centrífugo limit load é indicado quando o ar chega limpo ou com pouca poeira, por exemplo depois de um filtro.

Por que o comportamento da potência importa?

Nos rotores siroco e radial, a potência consumida continua subindo à medida que a resistência do sistema cai e a vazão aumenta. A ACGIH destaca que, no siroco, isso precisa ser considerado na escolha do motor (ACGIH, 1998, Fig. 6-4). Um exaustor desses funcionando com o duto desconectado, ou com uma resistência muito menor que a de projeto, pode exigir mais potência do que o motor fornece. O limit load não tem esse problema, porque sua potência cai quando o ponto de operação se afasta do ideal em qualquer direção.

Como a sujeira do ar define o exaustor?

A ACGIH dá uma orientação direta para escolher o exaustor pelo material que passa por ele (ACGIH, 1998, Seção 6.3.1):

  • pouca fumaça ou poeira no ar: centrífugo de pás para trás (limit load) ou axial;
  • poeira leve, fumos ou umidade: centrífugo de pás para trás ou radial;
  • carga de particulado alta ou transporte de material: centrífugo radial.

O ASHRAE Handbook: HVAC Applications acrescenta uma recomendação de projeto: sempre que possível, o exaustor deve ficar depois do coletor ou filtro. Assim ele trabalha com ar limpo, o que reduz a abrasão das pás (ASHRAE, 2019, Cap. 33). Com o exaustor posicionado depois do filtro, o limit load, de maior rendimento, passa a ser uma opção.

E quando o ar é quente, corrosivo ou inflamável?

As condições do ar também mudam a escolha. A ACGIH lista três cuidados (ACGIH, 1998, Seção 6.3.1):

  • Ar quente: a temperatura máxima de operação afeta a resistência dos materiais. Ela precisa ser conhecida para escolher os materiais de construção, o arranjo de acionamento e o tipo de rolamento.
  • Ar corrosivo: pode exigir revestimento de proteção ou materiais especiais, como aço inoxidável ou fibra de vidro.
  • Material explosivo ou inflamável: exige construção resistente a faíscas e motor à prova de explosão quando o motor fica no fluxo de ar, além do atendimento às normas aplicáveis.

No exaustor axial direto, o motor fica no fluxo de ar. Na prática de seleção da Climavent, para ar quente ou com vapores, o exaustor axial indireto é uma opção quando a pressão do sistema está na faixa do axial: o motor fica fora do fluxo e aciona a hélice por transmissão. Para materiais inflamáveis, a construção resistente a faíscas continua necessária, como exige a ACGIH.

Tabela de decisão rápida

A tabela abaixo resume as orientações da ACGIH e a nossa prática de seleção para as situações mais comuns. Ela não substitui o cálculo da vazão e da pressão do sistema.

Situação Tipo recomendado
Renovação de ar de galpão, exaustor na parede ou na cobertura, sem duto Axial direto
Rede de dutos com captores, curvas ou filtro Centrífugo
Pouca fumaça ou poeira no ar Centrífugo limit load ou axial direto
Ar limpo, pressão baixa a moderada, pouco espaço (ventilação, ar de reposição) Centrífugo siroco
Ar limpo ou já filtrado, foco em economia de energia Centrífugo limit load
Pó, serragem, cavaco ou material passando pelo exaustor Centrífugo radial
Ar quente ou com vapores, pressão na faixa do axial Axial indireto, motor fora do fluxo (prática Climavent)

Por que a pressão do sistema vem antes do catálogo?

O exaustor só entrega a vazão de catálogo no ponto em que sua curva cruza a curva do sistema. A pressão que o sistema exige vem de duas partes: a vazão que os captores precisam e a perda de carga da rede de dutos. Como mostra o exemplo acima, uma rede de dutos rapidamente sai da faixa do axial direto. Um captor afastado da fonte aumenta ainda mais a vazão e a pressão necessárias.

O caminho inverso também é comum: tentar resolver com mais rotação um exaustor que não foi escolhido para aquela pressão. Como mostramos no artigo sobre as Leis dos Ventiladores, 10% a mais de rotação exige cerca de 33% a mais de potência. No axial direto, a rotação ainda fica presa à velocidade do motor, a menos que se use inversor de frequência.

Perguntas frequentes

Posso ligar um exaustor axial de parede a uma rede de dutos?

Só se a resistência total for muito baixa. A ACGIH limita o exaustor de hélice a menos de 250 Pa e alerta que pequenos aumentos de resistência derrubam a vazão (ACGIH, 1998, Seção 6.2.2). No exemplo deste artigo, um único ramal com quatro curvas bem escolhidas e 10 m de duto já soma cerca de 355 Pa. Redes com captores, curvas e filtros normalmente pedem um centrífugo.

Exaustor siroco serve para aspirar pó?

Não é o mais indicado. A ACGIH desaconselha o rotor de pás curvadas para a frente para poeiras e particulados que possam aderir às pás, porque o acúmulo desbalanceia o rotor (ACGIH, 1998, Seção 6.2.3). Quando o pó passa pelo exaustor, o rotor radial é a escolha recomendada.

Conclusão: o sistema escolhe o exaustor

A escolha entre axial e centrífugo, e entre os rotores centrífugos, segue critérios técnicos claros:

  • axial direto para muita vazão contra pouca resistência, sem dutos pelo caminho; centrífugo para redes com dutos, captores e filtros;
  • o axial direto trabalha abaixo de 250 Pa e perde vazão rapidamente com qualquer resistência adicional; um único ramal de dutos pode passar desse limite;
  • rotor radial quando o pó passa pelo exaustor; siroco para ar limpo em pressões baixas a moderadas; limit load para ar limpo ou filtrado, com o maior rendimento dos três e sem risco de sobrecarga;
  • ar quente, corrosivo ou inflamável muda materiais, arranjo e motor.

Antes de escolher o modelo, vale levantar a vazão que os captores exigem e a perda de carga da rede de dutos. Para saber qual exaustor atende o seu sistema, fale com a Climavent.

Sobre este artigo

Este conteúdo foi produzido pela equipe web da Climavent, fornecedora de exaustores e dutos para aplicações industriais, a partir dos manuais técnicos citados. As faixas de pressão, as características dos rotores e os critérios de seleção vêm do Capítulo 6 da 23ª edição (1998) do manual da ACGIH. Os coeficientes do exemplo vêm do Capítulo 5 da mesma edição, e a recomendação de posição do exaustor, do Capítulo 33 do ASHRAE Handbook: HVAC Applications (2019). Recomendações identificadas como prática da Climavent são orientação da empresa, não do manual. Dúvidas técnicas ou sugestões de correção podem ser enviadas pela página de contato.

Fontes

  • ACGIH. Industrial Ventilation: A Manual of Recommended Practice. 23ª ed. Cincinnati: ACGIH, 1998. Capítulo 6, "Fans": Seções 6.2 (definições), 6.2.2 (exaustores axiais), 6.2.3 (exaustores centrífugos), arranjos de acionamento (direto e por correia), 6.3.1 (critérios de seleção: material, ar explosivo, corrosivo e quente); Figuras 6-3 (componentes do centrífugo) e 6-4 (tipos de rotor, curvas de desempenho e aplicações). Capítulo 5: equação de perda por atrito para duto galvanizado e Figuras 5-14 e 5-15 (coeficientes de perda em curvas e junções, usados no exemplo). acgih.org
  • ASHRAE. ASHRAE Handbook: HVAC Applications (SI). Atlanta: ASHRAE, 2019. Capítulo 33, "Industrial Local Exhaust" (posição do exaustor em relação ao coletor). ASHRAE Handbook
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