Veja quanta pressão e energia cada curva e junção consome em uma rede de exaustão industrial, com coeficientes da ACGIH e boas práticas da ASHRAE.
Por Equipe de Desenvolvimento Web Climavent
16/10/2026 · 13 min de leitura · 2.760 palavras
O exaustor é novo, o motor é forte e mesmo assim a captação nos pontos mais distantes é fraca. Muitas vezes a causa não está no equipamento, e sim no caminho que o ar percorre. Em um duto de 300 mm com ar a 20 m/s, uma curva de 90° feita em "cotovelo" (mitrada, sem defletores) perde tanta pressão quanto cerca de 19 metros de duto reto. Uma curva de cinco gomos com raio generoso perde o equivalente a menos de 3 metros. Os coeficientes vêm do manual Industrial Ventilation da ACGIH (23ª edição, 1998).
Este artigo mostra quanto cada tipo de curva e de junção custa em pressão e em energia, explica por que a instalação pode piorar esses números e reúne as regras de traçado recomendadas pela ACGIH e pela ASHRAE. O conteúdo é voltado a supervisores de manutenção, engenheiros de processo e empresários que vão contratar ou ampliar uma rede de dutos.
Pontos-chave
- Cada curva, junção ou redução tem um coeficiente de perda. A perda em pascal é esse coeficiente multiplicado pela pressão dinâmica do ar no duto (ACGIH, 1998, Seção 1.7.2).
- Uma curva mitrada sem defletores tem coeficiente 1,2; uma curva de 5 gomos com raio de 2,5 diâmetros, 0,17. É uma perda cerca de sete vezes maior na mesma vazão (ACGIH, 1998, Fig. 5-14).
- Ramais que entram no duto principal a 90° perdem 1,00 pressão dinâmica; a 30°, apenas 0,18 (ACGIH, 1998, Fig. 5-15).
- Peças muito próximas umas das outras podem perder mais de 50% acima da soma das perdas individuais. A ASHRAE recomenda ao menos cinco diâmetros hidráulicos entre conexões (ASHRAE, 2021, Cap. 1 e 2).
O que é perda de carga em uma rede de dutos?
Perda de carga é a energia, medida como queda de pressão total, que o ar perde ao percorrer a rede. Toda essa energia precisa ser reposta pelo ventilador. O Duct Systems Design Guide da ASHRAE (2021, Cap. 1) resume a consequência: quanto maior a pressão total exigida para a mesma vazão, mais energia o ventilador consome e maior o custo de operação do sistema.
A perda tem duas parcelas:
- Perda por atrito: acontece ao longo de todo o duto reto e depende do comprimento, do diâmetro, da rugosidade do material e da velocidade.
- Perda localizada (ou dinâmica): acontece em cada curva, junção, redução, captor e acessório, porque o escoamento muda de direção ou de velocidade.
Para as peças, a ACGIH usa um método simples: a perda é um coeficiente adimensional (K) multiplicado pela pressão dinâmica do ar no duto (ACGIH, 1998, Seção 1.7.2). A pressão dinâmica é ρ × V² / 2. Com ar padrão (1,2 kg/m³) a 20 m/s, ela vale cerca de 240 Pa. Assim, uma peça com K = 0,50 consome cerca de 120 Pa nessa velocidade.
A velocidade aparece ao quadrado, por isso a mesma peça perde quatro vezes mais pressão quando a velocidade do ar dobra. Em exaustão de particulados, a velocidade não pode ser reduzida à vontade, porque o pó precisa continuar em suspensão até o coletor. A Tabela 3-2 da ACGIH indica de 3.500 a 4.000 pés por minuto, cerca de 18 a 20 m/s, para a "poeira industrial média", como a de esmerilhamento e a de manuseio de materiais. Com a velocidade fixada pelo processo, a geometria das peças passa a ser a principal variável que o projetista controla.
Quanto perde cada tipo de curva?
A perda de uma curva de 90° depende de dois fatores: o raio de curvatura em relação ao diâmetro (R/D) e a forma de construção, se estampada, em gomos ou mitrada. A Figura 5-14 da ACGIH traz os coeficientes. A tabela abaixo reproduz uma seleção e converte cada valor em comprimento equivalente de duto reto. Esse é o comprimento de duto que perderia a mesma pressão.
| Peça (90°, duto circular) | Coeficiente K | Perda a 20 m/s | Equivale a duto reto de |
|---|---|---|---|
| Curva estampada, R/D = 1,5 | 0,15 | 36 Pa | 2,4 m |
| Curva de 5 gomos, R/D = 2,5 | 0,17* | 41 Pa | 2,7 m |
| Curva de 5 gomos, R/D = 1,5 | 0,24 | 58 Pa | 3,9 m |
| Curva de 3 gomos, R/D = 1,5 | 0,34 | 82 Pa | 5,5 m |
| Curva de 3 gomos, R/D = 0,75 | 0,54 | 130 Pa | 8,7 m |
| Curva mitrada com defletores | 0,6 | 144 Pa | 9,7 m |
| Curva mitrada sem defletores | 1,2 | 288 Pa | 19,4 m |
Base de cálculo: coeficientes da ACGIH (1998, Fig. 5-14); duto de aço galvanizado de 300 mm, ar padrão a 20 m/s (cerca de 5.090 m³/h); atrito calculado pela equação da ACGIH para duto galvanizado (1998, Cap. 5), que resulta em cerca de 15 Pa por metro. Em outros diâmetros e velocidades os valores em pascal e em metros mudam, mas a proporção entre as peças se mantém. *Valor extrapolado pela própria ACGIH a partir de dados publicados; a curva de 5 gomos com R/D = 2,0, medida, tem K = 0,19 (3,1 m).
A curva mitrada com defletores aparece na tabela apenas como referência. A ACGIH só admite curvas mitradas com ar limpo (1998, Fig. 5-21), e a ASHRAE restringe os defletores a sistemas de até cerca de 10 m/s (2.000 pés por minuto) (2021, Cap. 2). Em uma rede que transporta pó a 20 m/s, essa opção não se aplica.
Curvas de 45°, 60° e 30° seguem a mesma lógica. Na planilha de cálculo da ACGIH, a perda de uma curva de 60° é estimada em 2/3 da perda da curva de 90°, a de 45° em 1/2 e a de 30° em 1/3 (ACGIH, 1998, Cap. 5).

Comprimento de duto reto que produz a mesma perda de pressão de cada peça, em duto galvanizado de 300 mm com ar a 20 m/s.
As recomendações de traçado dos dois manuais apontam na mesma direção. A ACGIH classifica curvas com raio de 2 a 2,5 diâmetros como preferidas, as de 1,5 diâmetro como aceitáveis e as mitradas como a evitar. Se uma curva mitrada for inevitável, ela deve ser usada apenas com ar limpo e com defletores (ACGIH, 1998, Fig. 5-21). A ASHRAE recomenda R/D = 1,5 sempre que possível e R/D = 1,0 apenas quando falta espaço, além de evitar curvas mitradas (ASHRAE, 2021, Cap. 2). Em sistemas que transportam pó, o Capítulo 33 do ASHRAE Handbook: HVAC Applications (2019) acrescenta que curvas com R/D menor que 1,5 sofrem abrasão e duram menos.
E as junções de ramais?
As junções pesam tanto quanto as curvas. Quando um ramal encontra o duto principal, a perda depende do ângulo de entrada. A Figura 5-15 da ACGIH dá os coeficientes, aplicados à pressão dinâmica do ramal:
| Ângulo de entrada do ramal | Coeficiente K | Perda a 20 m/s | Equivale a duto reto de |
|---|---|---|---|
| 30° | 0,18 | 43 Pa | 2,9 m |
| 45° | 0,28 | 67 Pa | 4,5 m |
| 60° | 0,44 | 106 Pa | 7,1 m |
| 90° (junção em T) | 1,00 | 240 Pa | 16,2 m |
Mesma base de cálculo da tabela de curvas.
A orientação da ACGIH é que os ramais entrem no duto principal com ângulo de 30° ou menos, aceitando 45° quando necessário. A entrada deve ocorrer em uma expansão gradual, com ângulo de abertura de no máximo 15° (ACGIH, 1998, Fig. 5-26). O HVAC Applications também recomenda entrada a 30° em sistemas que transportam pó, para reduzir tanto a perda de energia quanto a abrasão (ASHRAE, 2019, Cap. 33). Na prática, a bifurcação em Y cumpre esse papel melhor do que uma derivação em T.
A mesma figura da ACGIH traz um alerta sobre o diâmetro depois da junção. O trecho principal deve ser dimensionado para manter a velocidade mínima de transporte. Somar as áreas dos dois dutos e acrescentar folga, como 20% a mais, reduz a velocidade e favorece o depósito de pó (ACGIH, 1998, Fig. 5-26). Por isso as reduções e ampliações de diâmetro, feitas com cones de redução, precisam ser calculadas, não escolhidas por aproximação.
Quanto isso pesa na conta de energia?
Os números a seguir são um cálculo ilustrativo, não um caso de cliente. Considere um ramal de exaustão com quatro curvas de 90° e uma junção com o duto principal, em duto de 300 mm, com 5.090 m³/h a 20 m/s. Compare duas montagens da mesma rede:
- Montagem A: quatro curvas mitradas sem defletores e junção em T (90°). Perda nas peças: 4 × 1,2 + 1,00 = 5,8 pressões dinâmicas, cerca de 1.390 Pa.
- Montagem B: quatro curvas de 5 gomos com R/D = 2,5 e junção a 30°. Perda nas peças: 4 × 0,17 + 0,18 = 0,86 pressão dinâmica, cerca de 206 Pa.
A diferença é de cerca de 1.190 Pa. Para manter a mesma vazão com um ventilador de 65% de rendimento, a montagem A exige cerca de 2,6 kW a mais no eixo. Em 8 horas por dia e 22 dias por mês, isso soma aproximadamente 450 kWh por mês no eixo do ventilador. O consumo elétrico real é maior, porque inclui as perdas do motor e da transmissão.
Se o ventilador não tiver essa pressão disponível, o resultado é outro: ele não consome mais energia, mas entrega menos vazão. O ponto de operação se desloca para a esquerda na curva do ventilador e os captores mais distantes perdem sucção. Trocar a polia para compensar costuma sair caro, como mostramos no artigo sobre as Leis dos Ventiladores.
O que os coeficientes de tabela não mostram?
Os coeficientes publicados partem de escoamento plenamente desenvolvido na entrada de cada peça, condição de laboratório (ASHRAE, 2021, Cap. 2). Na obra, três situações fazem a perda real superar a de projeto.
Peças encostadas umas nas outras
Quando duas conexões ficam a menos de seis diâmetros hidráulicos uma da outra, o escoamento que chega à segunda já está perturbado. O Duct Systems Design Guide informa que essas conexões próximas podem perder mais de 50% acima da soma das perdas individuais. Instalações mal executadas podem levar a incertezas maiores que 100% (ASHRAE, 2021, Cap. 1). A recomendação de projeto é manter ao menos cinco diâmetros hidráulicos entre conexões sempre que possível (ASHRAE, 2021, Cap. 2).
Desvios improvisados na obra
A ASHRAE cita como exemplo a redução feita para "espremer" o duto entre duas vigas: uma peça que não estava no projeto e que acrescenta uma perda que ninguém calculou (ASHRAE, 2021, Cap. 1). Cada desvio desse tipo desloca o ponto de operação do sistema.
Dutos flexíveis curvados
Em dutos flexíveis, as curvas apresentam coeficientes de perda que variam de 0,9 a 3,3, sem padrão consistente entre condições de instalação. Para comparação, uma curva estampada de 8 polegadas com R/D = 1,5 tem coeficiente de 0,11 (ASHRAE, 2021, Cap. 2, citando Abushakra et al., 2004). A mesma fonte recomenda instalar o flexível totalmente esticado, nunca com mais de 4% de compressão, e evitar dobras.
Como traçar uma rede de dutos com menos perda?
As recomendações abaixo resumem a ACGIH e a ASHRAE e servem tanto para projetar quanto para avaliar uma proposta recebida:
- Curvas com raio de 2 a 2,5 diâmetros. Use 1,5 diâmetro quando o espaço exigir e evite curvas mitradas (ACGIH, Fig. 5-21; ASHRAE, Cap. 2).
- Ramais entrando a 30°, no máximo 45°, em expansões graduais de até 15° (ACGIH, Fig. 5-26).
- Distância entre conexões de pelo menos cinco diâmetros hidráulicos sempre que possível (ASHRAE, Cap. 2).
- Dutos circulares sempre que possível. A ASHRAE considera o duto circular o mais eficiente em peso, custo, pressão e perda de energia (ASHRAE, 2021, Cap. 2). Os dutos circulares também facilitam o uso de curvas de raio longo.
- Diâmetros calculados para a velocidade de transporte do contaminante, sem folgas que reduzam a velocidade (ACGIH, Tabela 3-2 e Fig. 5-26).
- Flexíveis curtos e esticados, apenas onde a conexão realmente precisa de mobilidade (ASHRAE, Cap. 2).
- Toda peça no memorial de cálculo. Cada curva, junção e redução instalada deve constar no cálculo de perda de carga que define o ventilador.
Perguntas frequentes
Duto retangular perde mais do que duto circular?
Os coeficientes de peças comparáveis são parecidos, segundo a ASHRAE (2021, Cap. 2). A diferença está no conjunto: o duto circular é o mais eficiente em peso, custo, pressão e perda de energia, e o retangular exige atenção à proporção entre largura e altura nas curvas. A ACGIH recomenda que, nas curvas retangulares, as relações W/D e R/D sejam iguais ou maiores que 1, em que D é a dimensão do duto no plano da curva e W a outra dimensão (ACGIH, 1998, Fig. 5-21).
Trocar só as curvas piores já resolve?
Ajuda, mas o efeito precisa ser calculado. Reduzir a perda da rede desloca o ponto de operação do ventilador e aumenta a vazão em todos os ramais. Se a rede depende de equilíbrio entre ramais, a mudança em um trecho altera a vazão dos outros. O caminho seguro é recalcular o trecho crítico, aquele de maior perda até o ventilador, antes de qualquer troca.
A perda de carga muda com o tempo?
Muda. O HVAC Applications aponta que dutos danificados aumentam a resistência do sistema, que vazamentos reduzem a velocidade no trecho anterior ao vazamento e que a operação incorreta pode voltar a arrastar o pó assentado nos dutos (ASHRAE, 2019, Cap. 33). Além disso, trechos com velocidade abaixo da de transporte acumulam pó (ACGIH, 1998, Fig. 5-26). Por isso a inspeção periódica da rede faz parte da manutenção do sistema.
Conclusão: o traçado da rede decide o consumo do exaustor
A perda de carga das peças é previsível e está tabelada nos manuais de referência. O que separa uma rede eficiente de uma rede cara é usar esses números no projeto:
- uma curva mitrada sem defletores perde cerca de sete vezes mais que uma curva de 5 gomos com R/D = 2,5;
- um ramal a 90° perde mais de cinco vezes o que perde um ramal a 30°;
- peças encostadas e desvios improvisados podem elevar a perda real muito acima da soma calculada;
- cada pascal a mais na rede vira energia no eixo do ventilador ou vazão a menos nos captores.
Na Climavent, a rede de dutos é calculada peça por peça antes da seleção do exaustor, e o memorial de cálculo acompanha o projeto. Para avaliar uma rede existente ou uma ampliação, fale com a nossa equipe técnica.
Sobre este artigo
Os coeficientes de perda foram extraídos das figuras do manual da ACGIH citadas no texto. Os comprimentos equivalentes e o exemplo de energia podem ser refeitos com as premissas informadas abaixo de cada tabela. Dúvidas técnicas ou sugestões de correção podem ser enviadas pela página de contato.
Fontes
- ACGIH. Industrial Ventilation: A Manual of Recommended Practice. 23ª ed. Cincinnati: ACGIH, 1998. Seção 1.7.2 (perdas em conexões); Tabela 3-2 (velocidades mínimas de transporte); Capítulo 5 (equação de atrito para duto galvanizado e planilha de cálculo), Figuras 5-14 (perdas em curvas), 5-15 (perdas em entradas de ramal), 5-21 (princípios de projeto: curvas) e 5-26 (princípios de projeto: entradas de ramal). acgih.org
- ASHRAE. Duct Systems Design Guide. Behls, H. (ed.). Peachtree Corners: ASHRAE, 2021. Capítulo 1, "Duct Design Fundamentals" (perdas dinâmicas, conexões próximas, incertezas) e Capítulo 2, "Duct Design Considerations" (curvas, dutos flexíveis, formato do duto). Guias de projeto da ASHRAE
- ASHRAE. ASHRAE Handbook: HVAC Applications (SI). Atlanta: ASHRAE, 2019. Capítulo 33, "Industrial Local Exhaust". ASHRAE Handbook