Sem entrada de ar, o galpão fica em pressão negativa e o exaustor perde vazão. Veja a partir de quantos pascal surgem os problemas, segundo a ACGIH.
Por Climavent · 20/10/2026 · 14 min de leitura · 2.859 palavras
O exaustor está ligado, o motor gira normalmente, mas o ar do galpão continua pesado. As portas assobiam, o portão fica difícil de abrir e a fumaça parece não ter para onde ir. Em muitos casos, o problema não está no exaustor: falta entrada de ar. O manual Industrial Ventilation da ACGIH resume o princípio: entra no prédio a mesma quantidade de ar que é exaurida, haja ou não uma entrada prevista para isso. Se o galpão estiver bem vedado, a vazão do exaustor cai de forma acentuada (ACGIH, 1998, Seção 7.2).
Este artigo explica o que é ar de reposição, mostra a partir de quantos pascal de pressão negativa cada problema aparece, por que os exaustores axiais e eólicos são os primeiros a sofrer e como dimensionar e distribuir a entrada de ar. O conteúdo é voltado a donos de oficinas, serralherias e pequenas fábricas, e a supervisores de manutenção que lidam com galpões fechados.
Pontos-chave
- Ar de reposição é o ar externo que entra no galpão, de forma controlada, para substituir o ar exaurido (ACGIH, 1998, glossário). Sem ele, o galpão fica em pressão negativa e o ar entra de forma descontrolada por frestas, portas e janelas.
- Poucos pascal de pressão negativa já causam problemas: de 2,5 a 5 Pa surgem correntes de ar em portas e janelas, e de 2,5 a 12,5 Pa os exaustores naturais de telhado, categoria que inclui os eólicos, perdem tiragem (ACGIH, 1998, Tabela 7-2).
- Exaustores axiais de parede e de telhado perdem muito mais vazão sob pressão negativa do que os centrífugos (ACGIH, 1998, Seção 7.2 e Fig. 7-2).
- A vazão de ar de reposição deve ser próxima da soma de todo o ar retirado do prédio: exaustão, processos e combustão (ACGIH, 1998, Seção 7.4).
O que é ar de reposição?
Ar de reposição, também chamado de ar de compensação ou make-up air, é o volume de ar externo, fornecido de forma controlada, que entra no prédio para substituir o ar que está sendo exaurido (ACGIH, 1998, glossário). Todo metro cúbico que o exaustor retira precisa ser reposto. A única escolha é se ele entra por um caminho planejado ou por onde conseguir.
Quando o ar de reposição é menor que o ar exaurido, a pressão dentro do prédio fica abaixo da pressão atmosférica. Essa condição é chamada de pressão negativa. Nela, o ar passa a entrar de forma descontrolada por janelas, portas e paredes, o que provoca correntes de ar em alta velocidade, retorno de gases de chaminés e dificuldade para abrir portas (ACGIH, 1998, Seção 7.1).
O efeito sobre a exaustão depende de quanto o prédio é vedado. Em um galpão antigo, com muitas frestas e janelas, a perda de vazão do exaustor pode ser pequena, embora outros problemas apareçam. Em um galpão bem fechado, a ACGIH alerta que a vazão de exaustão cai de forma severa (ACGIH, 1998, Seção 7.2).
Quanta pressão negativa já causa problema?
Muito pouca. A Tabela 7-2 da ACGIH lista as faixas de pressão negativa que podem causar condições insatisfatórias dentro dos prédios. Os valores, convertidos de polegadas de coluna d'água para pascal, mostram que os primeiros efeitos aparecem com poucos pascal.

Faixas de pressão negativa no galpão em que cada problema pode aparecer, segundo a ACGIH (1998, Tabela 7-2).
| Pressão negativa no galpão | O que pode acontecer |
|---|---|
| 2,5 a 5 Pa | Reclamações de correntes de ar: ar em alta velocidade passando por portas e janelas |
| 2,5 a 12,5 Pa | Exaustores naturais de telhado e chaminés de tiragem natural perdem eficácia |
| 5 a 12,5 Pa | Risco de monóxido de carbono: retorno de gases em aquecedores, fornos e outros equipamentos a combustão sem tiragem forçada |
| 7,5 a 25 Pa | Ventilação mecânica geral reduzida: menos vazão em exaustores axiais e em sistemas de baixa pressão |
| 12,5 a 25 Pa | Portas difíceis de abrir, com risco de acidentes com portas que batem |
| 25 a 62 Pa | Exaustão localizada prejudicada: até os exaustores centrífugos perdem vazão |
Fonte: ACGIH (1998, Tabela 7-2); 0,01" de coluna d'água ≈ 2,5 Pa.
O ASHRAE Handbook: HVAC Applications reforça o alerta: uma pressão negativa de apenas 12 Pa pode causar correntes de ar e até provocar o retorno de gases em saídas de equipamentos a combustão, criando riscos à saúde e à segurança. A pressão negativa também aumenta a resistência que o exaustor precisa vencer, o que reduz a vazão ou exige mais energia (ASHRAE, 2019, Cap. 33).
Por que os exaustores axiais e eólicos são os primeiros a sofrer?
A pressão negativa do galpão funciona como uma resistência a mais que o exaustor precisa vencer. Para um exaustor que trabalha com pouca pressão, essa resistência extra pesa muito. A Figura 7-2 da ACGIH compara os dois casos: sob a mesma pressão negativa, o exaustor axial de hélice tem uma perda de vazão grande, e o centrífugo, uma perda pequena. O manual destaca que o problema é particularmente sério em exaustores de baixa pressão, como os de parede e os de telhado (ACGIH, 1998, Seção 7.2 e Fig. 7-2).
Isso afeta diretamente quem ventila o galpão com um exaustor axial industrial na parede. Como explicamos no artigo sobre exaustor axial ou centrífugo, o axial de hélice já trabalha contra menos de 250 Pa e é muito sensível a qualquer resistência adicional (ACGIH, 1998, Seção 6.2.2).
O caso mais sensível é o do exaustor eólico, que não tem motor e depende da tiragem natural, isto é, do vento e da diferença de temperatura. Pela Tabela 7-2, os exaustores naturais de telhado, categoria que inclui os eólicos, perdem eficácia já na faixa de 2,5 a 12,5 Pa de pressão negativa (ACGIH, 1998). Em um galpão onde também há exaustores motorizados e nenhuma entrada de ar, o eólico pode praticamente deixar de exaurir.
Que outros problemas a falta de ar de reposição causa?
Além de reduzir a vazão dos exaustores, a pressão negativa traz efeitos que muitas vezes são atribuídos a outras causas (ACGIH, 1998, Seção 7.2):
- Contaminante espalhado pelo galpão. As correntes de ar que entram pelas frestas atrapalham o funcionamento dos captores, podem levar o ar contaminado de um setor para outro e, em operações com pó, levantam o material assentado nas superfícies.
- Retorno de gases de combustão. Aquecedores, fornos e outros equipamentos com chaminé de tiragem natural podem ter o fluxo invertido com pressões negativas de apenas 5 Pa, levando monóxido de carbono para dentro do ambiente.
- Portas pesadas e perigosas. Uma diferença de pressão de 25 Pa exerce cerca de 46 N, aproximadamente 4,7 kgf, sobre uma porta comum de 1,86 m². Com 62 Pa, são cerca de 116 N, ou 11,8 kgf (ACGIH, 1998, Fig. 7-3). Portas que se fecham sozinhas e batem podem causar acidentes.
- Correntes de ar sobre os trabalhadores. Quem trabalha perto das portas e do perímetro do galpão fica exposto a ar em alta velocidade.
Em regiões quentes, há um efeito em cadeia comum: com o galpão abafado, os trabalhadores ligam ventiladores de pedestal. A ACGIH é direta sobre isso: ventiladores de pedestal destroem o controle do contaminante ao criar turbulência perto do captor e não devem ser permitidos (ACGIH, 1998, Seção 7.3). Como mostramos no artigo sobre o captor de exaustão, qualquer corrente de ar mais forte que a sucção do captor leva a fumaça para longe dele.
Quanto ar de reposição o galpão precisa?
Na maioria dos casos, a vazão de ar de reposição deve ser aproximadamente igual à vazão total de ar retirado do prédio pelos sistemas de exaustão, pelos processos e pelos equipamentos de combustão. Para determinar esse total, a ACGIH recomenda fazer um inventário de todos os pontos de exaustão e, se necessário, medir as vazões. O manual também sugere considerar as necessidades previstas para os próximos um ou dois anos, sobretudo quando há mudanças de processo ou ampliações planejadas, e lembra que muitas plantas preferem fornecer um pouco mais de ar do que o mínimo para compensar as infiltrações naturais (ACGIH, 1998, Seção 7.4).
Há uma exceção deliberada: salas onde o contaminante não pode escapar para as áreas vizinhas, como uma sala de pintura ou de jateamento. Nesses ambientes, a pressão negativa é desejada, mas controlada e medida em relação às áreas vizinhas dentro do prédio, não ao lado de fora. A ACGIH indica como bom padrão de desempenho uma diferença de cerca de 10 Pa, com tolerância de 5 Pa para mais ou para menos. Outra referência é exaurir cerca de 5% a mais do que se insufla, nunca menos de 85 m³/h de diferença (ACGIH, 1998, Seção 7.5). O HVAC Applications acrescenta que o fluxo de ar deve ir das áreas limpas para as contaminadas e que plantas equilibradas ou com pressão positiva consomem menos energia (ASHRAE, 2019, Cap. 33).
Exemplo: qual abertura um exaustor de 10.000 m³/h precisa?
Os números a seguir são um cálculo ilustrativo. Considere um galpão com exaustores somando 10.000 m³/h e com o ar de reposição entrando apenas por aberturas na parede, sem ventilador de insuflamento. A Tabela 7-1 da ACGIH relaciona a pressão negativa com a velocidade do ar através de frestas e aberturas (ACGIH, 1998, Tabela 7-1). Com ela, é possível estimar a área livre de abertura necessária para cada nível de pressão negativa:
| Pressão negativa aceita | Velocidade do ar na abertura | Área livre necessária |
|---|---|---|
| 2,5 Pa | 1,2 m/s | 2,3 m² |
| 5 Pa | 1,7 m/s | 1,6 m² |
| 12,5 Pa | 2,7 m/s | 1,0 m² |
| 25 Pa | 3,9 m/s | 0,7 m² |
Base de cálculo: velocidades da Tabela 7-1 da ACGIH (calculadas com coeficiente de descarga de 0,6 e ar à temperatura ambiente), convertidas de pés por minuto; área = vazão ÷ velocidade. A área livre é a área efetivamente aberta, já descontadas grelhas, telas e venezianas.
Para manter a pressão negativa abaixo de 5 Pa, faixa em que a Tabela 7-2 já indica risco de retorno de gases de combustão, esse galpão precisaria de cerca de 1,6 m² de área livre de entrada de ar. Com metade dessa área (0,8 m²), a velocidade necessária sobe para cerca de 3,5 m/s, o que corresponde a cerca de 20 Pa de pressão negativa. Nessa faixa, a Tabela 7-2 já aponta perda de vazão em exaustores axiais, perda de tiragem nos eólicos e portas difíceis de abrir.
Como distribuir o ar de reposição sem atrapalhar os captores?
A distribuição do ar de reposição é tão importante quanto a quantidade (ACGIH, 1998, Seção 7.3). Um ar que entra rápido e na direção errada cria turbulência perto dos captores e anula a exaustão localizada. A ACGIH lista alguns cuidados:
- Evitar jatos de ar de grande alcance perto dos captores. Difusores de alto alcance, comuns em sistemas de climatização, criam turbulência perto da exaustão localizada. O resultado é que os captores precisam de mais vazão, ou deixam de capturar o contaminante.
- Posicionar os captores longe das correntes do sistema de insuflamento.
- Insuflar o ar em baixa velocidade, por exemplo por plenos ou dutos perfurados no teto, que espalham o ar sobre uma área grande.
- Usar insuflamento lateral cruzado só quando o trabalhador fica entre a entrada de ar e a fonte do contaminante, e não usar esse arranjo com velocidade de projeto acima de cerca de 0,5 m/s (100 pés por minuto).
- Não usar ventiladores de pedestal perto dos captores.
O que verificar no seu galpão?
Os sinais abaixo indicam falta de ar de reposição. Eles derivam das faixas e recomendações da ACGIH e da ASHRAE:
- Portas e portões que assobiam, ficam pesados ou batem sozinhos quando os exaustores estão ligados.
- Exaustores eólicos que giram pouco ou param com os exaustores motorizados ligados.
- Exaustores axiais que parecem "fracos" apesar de estarem em bom estado.
- Fumaça que volta por chaminés de fornos, aquecedores ou equipamentos a combustão.
- Correntes de ar fortes perto de portas e janelas e reclamações dos trabalhadores do perímetro.
- Nenhuma entrada de ar planejada: se todo o ar de reposição depende de portas abertas, ele some quando as portas são fechadas por chuva, frio ou segurança.
Se dois ou mais sinais aparecem juntos, vale fazer o inventário de vazões exauridas e comparar com as entradas de ar disponíveis antes de trocar qualquer exaustor.
Como conferir a pressão do galpão?
A pressão negativa pode ser medida com um manômetro diferencial, com uma tomada de pressão dentro do galpão e outra do lado de fora, passando por uma fresta de porta ou por um furo na parede, com todos os exaustores ligados. A leitura em pascal pode ser comparada diretamente com as faixas da Tabela 7-2. Sem instrumento, os sinais da lista acima funcionam como indicação: portas pesadas e eólicos parados apontam para pressões negativas já dentro das faixas problemáticas.
Perguntas frequentes
Deixar o portão aberto resolve?
Resolve parcialmente e de forma instável. O portão aberto é uma entrada de ar não planejada: a ACGIH descreve esse tipo de entrada descontrolada como origem de correntes de ar em alta velocidade e de condições desconfortáveis para quem trabalha no perímetro do galpão (ACGIH, 1998, Seções 7.1 e 7.2). Além disso, o ar de reposição desaparece sempre que o portão é fechado. Uma entrada planejada, com área livre dimensionada para a vazão exaurida, mantém o sistema estável.
O ar de reposição pode ser só por aberturas, sem ventilador?
Pode, desde que a área livre seja suficiente para manter a pressão negativa baixa, como mostra o exemplo acima. A ACGIH orienta projetar sistemas mecânicos de insuflamento que introduzam ar externo suficiente para evitar pressões negativas ou positivas excessivas e que também permitam controlar as condições do ambiente (ACGIH, 1998, Seção 7.1). Em qualquer caso, a entrada de ar deve ficar longe dos captores e não deve soprar sobre eles.
Exaustor eólico funciona em galpão fechado?
Funciona mal. O exaustor eólico depende da tiragem natural, e a ACGIH indica que exaustores naturais de telhado perdem eficácia com pressões negativas de 2,5 a 12,5 Pa (ACGIH, 1998, Tabela 7-2). Em um galpão fechado e com exaustores motorizados ligados, essa pressão é atingida com facilidade. O eólico precisa de entradas de ar dimensionadas para a vazão que deve exaurir.
Conclusão: o exaustor só retira o ar que consegue entrar
A falta de ar de reposição é uma das causas mais simples, e mais esquecidas, de exaustão fraca:
- todo ar exaurido precisa entrar de volta; sem uma entrada planejada, ele entra por frestas, portas e janelas, ou simplesmente deixa de ser exaurido;
- poucos pascal de pressão negativa já causam correntes de ar, perda de tiragem em eólicos e risco de retorno de gases de combustão;
- exaustores axiais e eólicos são os mais afetados; com pressões maiores, até os centrífugos perdem vazão;
- a vazão de reposição deve ser próxima da vazão total exaurida, e o ar deve entrar em baixa velocidade, longe dos captores.
Antes de trocar ou acrescentar exaustores, vale verificar se o galpão tem entrada de ar suficiente para eles. Para avaliar o seu caso, fale com a Climavent.
Sobre este artigo
Este conteúdo foi produzido pela equipe web da Climavent, fornecedora de exaustores e dutos para aplicações industriais, a partir dos manuais técnicos citados. As faixas de pressão, as velocidades e as recomendações vêm do Capítulo 7 da 23ª edição (1998) do manual da ACGIH, e os alertas complementares, do Capítulo 33 do ASHRAE Handbook: HVAC Applications (2019). O exemplo de área de abertura pode ser refeito com a base de cálculo informada abaixo da tabela. Dúvidas técnicas ou sugestões de correção podem ser enviadas pela página de contato.
Fontes
- ACGIH. Industrial Ventilation: A Manual of Recommended Practice. 23ª ed. Cincinnati: ACGIH, 1998. Glossário ("Replacement Air"); Seção 6.2.2 (exaustores axiais de hélice); Capítulo 7, "Replacement and Recirculated Air": Seções 7.1 (introdução), 7.2 (ar de reposição), 7.3 (distribuição), 7.4 (vazão), 7.5 (pressão das salas); Tabelas 7-1 (velocidades através de frestas) e 7-2 (pressões negativas e problemas); Figuras 7-2 (queda de desempenho do exaustor sob pressão negativa) e 7-3 (força sobre portas). acgih.org
- ASHRAE. ASHRAE Handbook: HVAC Applications (SI). Atlanta: ASHRAE, 2019. Capítulo 33, "Industrial Local Exhaust" (ar de reposição e pressão negativa). ASHRAE Handbook